Um sorriso para cada face
Dentes grandes, brancos e alinhados não são garantias de um belo sorriso. Podem até ajudar, mas nemsempre. O que faz a diferença é a adequação do sorriso com o seu respectivo arquétipo facial, somada auma mistura de particularidades, repleta de nuances e detalhes. Face, lábios, gengiva e dentes se entrelaçamem um emaranhado novelo que tece esse guardião da alegria, o sorriso.
Autores: Carlos Alexandre Câmara,
Dois ortodontistas podem fazer dois planejamentos ortodônticos diferentes, dois planos de tratamentosdiferentes, mas só podem ter uma base de dados; em outras palavras, apenas um diagnóstico e a suaconsequente lista de problemas
Estética é o estudo racional do belo, quer quanto à possibilidade da sua conceituação, quer quanto àdiversidade de emoções e sentimentos que ele suscita nos homens1
A observação e a interpretação cerebral humana são capazes de avaliar tanto o que nos agrada, quantoo que nos desagrada. Porém, muitas vezes encontramos dificuldades para identificar e mensurar os detalhesque tornam um objeto belo ou feio
Quando se fala em análise facial, o exame clínico (ao vivo) é soberano. Porém, feliz ou infelizmente, nãose pode estar com o paciente o tempo todo. É preciso registrar a face para que se possa analisá-la eestudá-la na ausência desta.
Para o registro fotográfico convencional em Ortodontia, deve-se usar as câmeras DSLR (digitalsingle-lens reflex), também conhecidas como câmeras reflex digitais. São máquinas fotográficas quepermitem a mudança das lentes. Esse é um equipamento profissional (ou quase), que permite a obtençãode imagens com excelente qualidade de resolução e definição
As imagens fotográficas ortodônticas devem ser feitas com o paciente na Posição Natural da Cabeça(PNC), pois a PNC é uma posição com boa acurácia reprodutiva6,7.
Em verdade, o ortodontista não precisa ter um estúdio fotográfico no seu consultório. Porém, aqueles quese interessaram e já investiram nesse tipo de equipamento, sabem que não têm do que se arrepender
O que torna uma face bela? A resposta para essa simples pergunta é tão complexa que é melhor mudar para uma outra questão: o que torna uma face feia?
Em qual idade somos mais bonitos? Essa é uma pergunta muito subjetiva e de difícil resposta, pois a variação da beleza individual pode ocorrer de um dia para o outro (basta uma noite mal dormida para provar esse argumento), imagine quando se leva em consideração os anos?!
Quem é mais bonito? O homem ou a mulher? A resposta para essa pergunta é tão difícil quanto saber se existe pergunta tão fora de propósito como ela.
Existem diferenças entre grupos étnicos? Qual a raça mais bela? Antes de tudo é preciso lembrar que, do ponto de vista científico, o vocábulo raça deve ser evitado, pois a ciência genética já mostrou que inexiste distintas linhagens de seres humanos. Portanto, os termos grupos étnicos ou grupos geográficos são mais apropriados
No espaço tridimensional é necessário que seja identificado a dimensão que está sendo examinada. Oumelhor, qual lado ou parte da face está sendo avaliada
A observação e apreciação da simetria facial pode ser feita no próprio paciente (ao vivo) ou com o uso deimagens - fotografia, radiografia e tomografia (Fig. 42).
As relações que as estruturas faciais guardam entre si são facilmente observadas através de uma análisede dimensões e proporções. Avaliar a relação que essas estruturas têm umas com as outras facilita bastantea visualização estética.
O grande objetivo da análise da estética facial é criar o conhecimento necessário para que se possa interpretarquando fatores positivos e negativos interferem na estética da face. Essa interpretação envolveo conhecimento dos índices.
As análises que envolvem o uso de medidas angulares são muito úteis para avaliar as estruturas que se encontrambem ou mal posicionadas em relação às partes, contrapartes e o todo. Utilizadas, principalmente,em uma visão sagital, facilitam a interpretação dos padrões estéticos do perfil facial. Além disso, por seremângulos, não sofrem as distorções das medidas lineares, facilitando o exame e a captação de imagens
Existe uma forte perspectiva de que o tempo se encarregue de aposentar a telerradiografia e as suasanálises cefalométricas. O avanço da tecnologia 3D, representada pelas tomografias, e a mudançade conceitos de avaliação morfológica sinalizam que irão ocupar o espaço que por muito tempo foida telerradiografia. Na verdade, as análises cefalométricas, provavelmente, sempre irão existir, só quetridimensionais (geometria sólida); substituindo as análises planas bidimensionais,...
Como já foi dito e mostrado, uma boa análise facial estética frontal e lateral é essencial para o sucesso de umtratamento ortodôntico. Saber avaliar o que está em equilíbrio ou fora deste e o que interfere positivamenteou negativamente é fundamental para um bom diagnóstico e consequente êxito do tratamento ortodôntico.
Quando pensamos no arquétipo ortognata imaginamos o que podemos considerar como normal. Aquiloque está no nosso imaginário como dentro dos padrões de regularidade. Não necessariamente um indivíduoortognata terá uma face agradável, mas muito provavelmente a terá como admissível. O equilíbrioósseo tende a levar a uma harmonia facial. Os tecidos moles, embora nem sempre se comportem de umamaneira padronizada, costumam acompanhar as suas bases ósseas. Sendo essas equilibradas, a...
O que caracteriza o arquétipo retrognata é a desproporção na relação sagital entre mandíbula e maxila.Ou seja, a mandíbula sempre se posiciona distalmente à maxila no arquétipo retrognata (Ângulo ANB >4º); e mais, costuma ser curta.
Antes da abordagem do arquétipo face alta, vale aqui uma explicação: por que não chamar de arquétipoface longa, como é popularmente conhecido na literatura o paciente com excesso vertical?
Mais uma vez, podia-se dizer que um arquétipo (face baixa ou curta) é o inverso do outro (face alta oulonga), mas as nuances morfológicas e, principalmente, morfogenéticas trariam controvérsias desnecessáriase inoportunas67,68. Porém, é fato que o principal dado clínico de diagnóstico é comum para os doisarquétipos, o problema vertical; sendo um o excesso e o outro a escassez.
Olhando-se a nuance de um perfil, facilmente se percebe quais são os seus componentes. Mesmo que asua representação seja feita apenas por um risco, não é difícil identificar as suas partes. Pelo contrário,um perfil facial não precisa mais do que um leve traço para que todas as suas estruturas sejam rapidamenteidentificadas.
Cada componente do perfil facial tem um aspecto peculiar, mas nenhum deles atinge o patamar e acondição do nariz. Se pararmos para pensar no seu desenho é difícil explicar ou entender o porquê degostarmos ou não da sua estética.
No perfil facial normal, a relação ântero-posterior ideal entre lábios é de um "quase" alinhamentoexato. Não o é porque o lábio superior se posiciona um pouco mais para anterior, em relação ao inferior.Melhor dizendo, passando-se uma linha vertical verdadeira que tangencie o lábio superior, esse deveficar um pouco à frente do inferior. Essa é a relação ideal no ortognata, no qual, grandes compensaçõesdentárias não são esperadas
O conjunto mento-lábio inferior se situa na mandíbula. Parte e contraparte ocupam lugar na mesma estrutura,o maxilar inferior. A relação entre o mento e o lábio inferior é uma importante referência estéticaque tem forte influência no equilíbrio e harmonia do perfil facial. Esse conjunto, quando bem balanceadocostuma imprimir uma agradável atratividade aos indivíduos.
A linha ou plano submento cervical é o elo entre a face e o pescoço. Inicia-se no ponto Menton (Me) etermina no ponto Cervical (C) ou vice-versa. Tendo como limite posterior o pescoço, ela determina ocomprimento mandibular clínico, tornando-se fundamental para caracterizar a maioria dos arquétipos.Sim, porque é o tamanho da linha submento cervical quem dará o reconhecimento da relevância da mandíbula,que junto com a sua contraparte, a maxila, irá ditar o tipo facial.
Observando as partes, contrapartes e seus ânbulos do perfil facial, podemos observar uma coincidência– o valor do ângulo “ideal” formado pelos lábios superior e inferior [Ponto A (A’) - Labiale superius (Ls)- Ponto B (B’) – Labiale inferius (Li)] é o mesmo do ângulo formado pelo lábio inferior e mento [Labialeinferius (Li) – Ponto B (B’) - Pogonion (Pg’)]75, que é 125º
A Ortodontia possui três objetivos principais no tratamento das más oclusões: função (oclusão), estéticae estabilidade (contenção).
Voltando ao início desse livro, podemos lembrar da seguinte definição: A Ortodontia é descrita no dicionárioAurélio como o ramo da odontologia que se ocupa da prevenção e correção dos defeitos deposição de dentes e problemas faciais associados1.
A ATM é a articulação entre a mandíbula e o crânio (osso temporal). A cabeça da mandíbula e afossa mandibular são separadas pelo disco articular que é um tecido conjuntivo denso fibroso. Odisco, por sua vez, está fixado à cabeça da mandíbula medial e lateralmente pelos ligamentos colaterais,posteriormente pela lâmina retrodiscal e anteriormente pelo ligamento capsular anterior.Normalmente, as superfícies articulares preparadas para resistir às pressões, bem como o...
Dentes grandes, brancos e alinhados não são garantias de um belo sorriso. Podem até ajudar, mas nemsempre. O que faz a diferença é a adequação do sorriso com o seu respectivo arquétipo facial, somada auma mistura de particularidades, repleta de nuances e detalhes. Face, lábios, gengiva e dentes se entrelaçamem um emaranhado novelo que tece esse guardião da alegria, o sorriso.
Pode-se dizer que a construção de um sorriso começa pelo correto posicionamento dos incisivos centraissuperiores (ICS). Na verdade, a importância desses dentes se estende para as demandas estéticasdentárias, bucais, faciais, assim como as necessidades oclusais e funcionais.
Normalmente, é interessante que se refira aos incisivos centrais superiores, assim, no plural. Sim, porqueesses dentes têm sempre juntos deles, ou pelo menos deveriam ter, o seu espelho, o ICS vizinho. Os ICSdevem ser iguais, ou o mais parecidos possíveis. Só assim, partindo de um início correto é que se podeconsiderá-los como referências.
A superfície vestibular do ICS tem um formato retangular tendendo para quadrado. Na verdade, as formasdas faces mesial, distal, incisal e cervical podem levar o ICS para formatos trapezoidais que ora tendempara configurações triangulares e, outras vezes, para quadriláteras, mas quase sempre com aparênciasimétrica e regular.
Seria muito interessante que todas as áreas da Odontologia tivessem em comum a possibilidade de avaliare reconhecer os requisitos morfológicos que interferem e influenciam a estética dentária e facial. Seriacomo se pudéssemos avaliar as nossas obras de artes odontológicas com uma visão preparada para tal,sabendo por meios técnicos e científicos, identificar os pontos chaves para esse reconhecimento100
O sorriso pode ser definido como uma mudança na expressão facial, que envolve o brilho dos olhos,uma curvatura superior dos cantos dos lábios, a não emissão de som e menos distorção das formas dosmúsculos do que uma risada111
O primeiro (sorriso forçado, voluntário ou social) eleva o lábio superior em direção ao sulco nasolabialpela contração dos músculos elevadores que se originam nesse sulco e têm inserção no lábio. Os feixesmediais elevam o lábio na região dos dentes anteriores e os laterais na região dos dentes posteriores. Olábio então encontra resistência devido ao tecido adiposo das bochechas115,116. Esse sorriso não está associadoà emoção e é relativamente reproduzível. Também é...
No tópico anterior foram apresentados os estágios do sorriso: o voluntário (estágio 1) e o espontâneo(estágio 2). O que os diferem é a quantidade de exposição dentária, provocada pela maior contraçãomuscular do estágio 2.
Embora já se tenha catalogado 18 tipos de sorrisos117, o que interessa diretamente à Odontologia é aqueleque expressa alegria, o sorriso verdadeiro. Essa é a forma de sorriso conhecida como Duchenne, no qualocorre uma contração da musculatura orbicular dos olhos em combinação com o tracionamento do cantodo lábio pelo músculo zigomático maior e é, entre os tipos de sorriso, o que melhor demonstra contentamentoou felicidade. É o sorriso espontâneo117
A obtenção de um sorriso gracioso é sempre o objetivo principal de qualquer tratamento estético odontológico.Afinal, é a beleza do sorriso que fará a diferença entre o resultado estético aceitável ou agradávelem qualquer tratamento. Entretanto, apesar da sua importância, as características intrínsecas desse sãopouco discutidas.
A inclinação dos incisivos e a sua repercussão no posicionamento labial sempre foi uma preocupação na Ortodontia44,46,57,124. Por outro lado, curiosamente, a relação entre a inclinação dos incisivos e o sorriso não tem despertado o mesmo interesse na literatura ortodôntica e não é comum se encontrar trabalhos que tragam à tona esse assunto. A maioria dos artigos científicos ortodônticos, atuais, estão mais preocupados com uma avaliação frontal entre os dentes...
Os espaços (bilaterais) existentes entre as superfícies vestibulares dos dentes superiores posteriores e amucosa interna dos tecidos moles que formam os cantos da boca e as bochechas, que ocorrem duranteo sorriso, são chamados de corredores bucais (Fig. 216).
Índice é uma listagem organizada de tópicos e elementos, que apresentam informações detalhadas sobrea temática apresentada.
Sempre que os problemas estéticos e funcionais extrapolam as possibilidades de compensações dentárias,nos pacientes adultos, estamos diante de casos com indicações cirúrgicas
O “sorriso gengival” (sorriso alto), talvez, seja o dilema estético mais comentado, estudado e apresentadona Odontologia. Na Ortodontia, também ocupa lugar de destaque, uma vez que, várias das suascaracterísticas são formadas por componentes dentofaciais
Em qualquer tratamento, e em particular nos casos de reabilitação oral integrada, o ortodontista deve tera clareza se é possível compatibilizar os objetivos ideais com os reais.